Em
minhas idas e vindas a UTI de um hospital em Cruz Alta tenho verificado certos
fatos até então despercebidos e o desconhecimento se deve enquanto não se
vivencia a realidade.
A
UTI ou Unidade de Tratamento Intensiva é um local onde se encontram máquinas e
recursos humanos para atendimento de pacientes cujo estado de saúde exige maiores cuidados.
Sem
querer ser radical, a UTI é um recinto onde se trava batalha entre a vida e a morte. Claro, os desejos
são para que a vida seja sempre vencedora, no entanto, enquanto a vitória não
se efetiva prevalece a incerteza no doente e entre os que cuidam do mesmo.
Tanto
a espera quanto a duvida produzem efeitos na saúde física e psíquica da pessoa.
Na verdade o meio e situações então criadas atingem o paciente e igualmente
mudam seu comportamento. Tudo passa a ser algo novo e exigir novos
aprendizados.
Conflitos
são estabelecidos em UTI, desde o mais simples até o mais complexo. Um deles se
dá quando a vontade do paciente encontra resistência no seu quadro físico.
Na
prática a mente dispõe de uma vontade nem sempre obedecida pelo físico, o que
pode contribuir para um estado de angustia.
Pacientes de UTI recebem visitas em horários
estabelecidos. As visitas são necessárias para que o doente reveja familiar ou amigos.
Torna-se
necessário observar que uma pessoa doente não é só dependente, mas carente. A
dependência leva abandonar a si mesmo e considerar os outros. Já a carência
possibilita o aumento de sensibilidade, comumente a pessoa chora ou então
demonstra ares de tristeza. O quadro pode contribuir numa patologia de ordem psíquica.
Tenho
certas reservas sobre o conteúdo de conversas com paciente de UTI. Isso por que
não somos preparados para doente de tal local. Na verdade, nos encontramos numa
situação em que somos chamados para ajudar numa guerra, a qual muitas vezes
ocorre de forma inesperada.
Vi
paciente chorar em conversa com visitante. Não sei se a emoção é boa ou ruim,
até por que o momento produz efeitos, já os resultados desses efeitos na
maioria das vezes são desconhecidos, especialmente por leigos em psicologia.
Acredito
que toda a UTI deveria obrigatoriamente ter um psicólogo, até por que nas
Unidades de Tratamento Intensiva acontecem múltiplas realidades e devido
tamanha diversificação de fatos o conhecimento precisa ser buscado em outros
profissionais.
Hoje
se percebe que uma prática fragmentada já não serve, mas a interdisciplinaridade
no conhecimento com vista a enfrentar os problemas que por sua vontade mudam.
Veja que no enfrentamento de uma bactéria não é suficiente um antibiótico, mas
dois ou mais.
Uma
antiga assertiva romana diz “mens sana in corpore sano”, ou seja uma mente sã
num corpo são. Para justificar a afirmação, vejamos o estresse, um problema que
ocorre no psíquico, porém capaz de afetar todo o sistema, dai é comum pessoas
estressadas com problema de pressão ou então sistema imunológico fragilizado.
A
saúde é física e mental. Tratar fisicamente é uma coisa, mentalmente é outra.
Fisicamente os médicos, enfermeiros e máquinas são capazes. Já mentalmente
carece de um profissional em psicologia para UTI. Fica a sugestão aos hospitais
que além de prestar serviços de saúde devem desenvolver atividades para
melhorá-la.