terça-feira, 28 de novembro de 2017

UTI E PSICÓLOGO


Em minhas idas e vindas a UTI de um hospital em Cruz Alta tenho verificado certos fatos até então  despercebidos  e o desconhecimento se deve enquanto não se vivencia a realidade.
A UTI ou Unidade de Tratamento Intensiva é um local onde se encontram máquinas e recursos humanos para atendimento de pacientes cujo estado de  saúde exige maiores cuidados.
Sem querer ser radical, a  UTI é  um  recinto onde se trava  batalha entre a vida e a morte. Claro, os desejos são para que a vida seja sempre vencedora, no entanto, enquanto a vitória não se efetiva prevalece a incerteza no doente e entre os que cuidam do mesmo.
Tanto a espera quanto a duvida produzem efeitos na saúde física e psíquica da pessoa. Na verdade o meio e situações então criadas atingem o paciente e igualmente mudam seu comportamento. Tudo passa a ser algo novo e exigir novos aprendizados.
Conflitos são estabelecidos em UTI, desde o mais simples até o mais complexo. Um deles se dá quando a vontade do paciente encontra resistência no seu quadro físico.
Na prática a mente dispõe de uma vontade nem sempre obedecida pelo físico, o que pode contribuir para um estado de angustia.
 Pacientes de UTI recebem visitas em horários estabelecidos. As visitas são necessárias  para que o doente reveja familiar ou amigos.
Torna-se necessário observar que uma pessoa doente não é só dependente, mas carente. A dependência leva abandonar a si mesmo e considerar os outros. Já a carência possibilita o aumento de sensibilidade, comumente a pessoa chora ou então demonstra ares de tristeza. O quadro pode contribuir numa patologia de ordem psíquica.
Tenho certas reservas sobre o conteúdo de conversas com paciente de UTI. Isso por que não somos preparados para doente de tal local. Na verdade, nos encontramos numa situação em que somos chamados para ajudar numa guerra, a qual muitas vezes ocorre de forma inesperada.
Vi paciente chorar em conversa com visitante. Não sei se a emoção é boa ou ruim, até por que o momento produz efeitos, já os resultados desses efeitos na maioria das vezes são desconhecidos, especialmente por leigos em psicologia.
Acredito que toda a UTI deveria obrigatoriamente ter um psicólogo, até por que nas Unidades de Tratamento Intensiva acontecem múltiplas realidades e devido tamanha diversificação de fatos o conhecimento precisa ser buscado em outros profissionais.
Hoje se percebe que uma prática fragmentada já não serve, mas a interdisciplinaridade no conhecimento com vista a enfrentar os problemas que por sua vontade mudam. Veja que no enfrentamento de uma bactéria não é suficiente um antibiótico, mas dois ou mais.
Uma antiga assertiva romana diz “mens sana in corpore sano”, ou seja uma mente sã num corpo são. Para justificar a afirmação, vejamos o estresse, um problema que ocorre no psíquico, porém capaz de afetar todo o sistema, dai é comum pessoas estressadas com problema de pressão ou então  sistema imunológico fragilizado.
A saúde é física e mental. Tratar fisicamente é uma coisa, mentalmente é outra. Fisicamente os médicos, enfermeiros e máquinas são capazes. Já mentalmente carece de um profissional em psicologia para UTI. Fica a sugestão aos hospitais que além de prestar serviços de saúde devem desenvolver atividades para melhorá-la.











quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A DOENÇA, O DOENTE E OS OUTROS


Toda a doença não é causa, mas resultado. O corpo não é o causador e sim seu usuário. Como um carro, não é o veiculo o culpado por um motor que não funciona, mas seu proprietário.
A doença possui diversas fontes, desde o modo de viver de cada um, alimentação, falta de atividade física e o cuidado com a mente.
Não há  nas pessoas cultura relativa aos cuidados com a vida. A preocupação só ocorre numa  situação  indesejada. Interessa viver  na busca de bens . O maior valor reside no bem material, ao invés do humano.
O doente tanto é responsável, como vitima. Responsável ao não cuidar da saúde e vitima quando prejudicado por erros  médicos e  até procedimentos hospitalar.
A medicina convencional tem  como preocupação consertar ou reverter estragos. Já medicina preventiva é ainda tímida. Talvez evitar a doença não possibilite tanto dinheiro como ficar doente.
 Será que alguém ainda acredita que a doença não é fonte de ganhos? Ganha desde o laboratório, farmácias até profissionais da saúde e funerárias. Claro em tudo há exceções, porém não se pode esconder  o lado mercantilista da medicina.
A doença produz mudanças. O doente fica frágil, carente e dependente. Como uma  criança ou talvez um ancião. Numa nova realidade passa a precisar mais dos outros.
Também o ficar doente possibilita saber quanto realmente valemos. Mostra o valor do outro para conosco. E o valor não esta nesta ou naquela palavra, pois até um papagaio é capaz de reproduzir palavras. O valor reside em ações em atos, ainda que simples, como alcançar um copo d’água.
Em momento de doença, as pessoas costumam dizer, se precisar de alguma coisa é só pedir. Talvez o ideal não seja  ficar na  mera vontade, mas  fazer. Como a música de  Geraldo Vandré, “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
Em minhas idas e vindas a uma UTI verifiquei  um  fato digno  de verdadeiro amor . Confesso ser um pouco incrédulo em  amor, mas ele parece existir entre pessoas que embora pobres nos possibilita lições de vida.
Diariamente e durante a noite um senhor vai até ao hospital e se posiciona  na porta da  UTI  Cabisbaixo aguarda a hora de entrar e quando a porta se abre  de vagarinho dirige até o leito de sua amada.

Olho para aquela pessoa  e chego a pensar no amor dos animais, em que o  cão  espera por seu dono e corre para recebe-lo e dar carinho.
Faz 11 meses que essa pessoa simples e humilde visita seu amor na esperança de um dia ver  com  a saúde e certamente dizer   valeu a espera e o sacrifício, pois não há nada no mundo mais útil do que a vida.
O exemplo desse senhor deveria ser seguido, especialmente por  pessoas   apegadas a si e seus bens.
O mundo não irá melhorar com palavras, mas com ações,  como do senhor que sem importar com o tempo usa o tempo  ainda  pouco para ficar com outra pessoa.













terça-feira, 7 de novembro de 2017

HOSPITAL E UTI


Ultimamente em virtude de cirurgia de familiar tenho estado em  hospital e UTI.  Acredito que poucos ou mesmo ninguém gosta de hospital, menos ainda de Unidade de Tratamento Intensivo. Porém, os problemas relativos a saúde ocorrem  quando então acabamos  no  quarto de um hospital  ou ainda submetido a uma  cirurgia, a qual  exige   cuidados numa UTI.
O hospital é um local onde se verifica  diferentes realidades. Umas de tristeza, outras de preocupações. Percebemos vidas que resistem, enquanto outras findam, assim como as  novas vidas no choro de uma criança.
Nesse local de paradoxos as pessoas se encontram e se desencontram. Ficamos conhecendo o desconhecido seja o recepcionista ou  enfermeira e enfermeiro, assim como o  médico.
Além de  doentes,  profissionais da saúde e  máquinas, além de outros objetos,  constituem elementos   de um hospital e  de uma UTI.
Dentre os profissionais  da saúde  há os que procuram ajudar  e igualmente  prestar informação ao responsável, assim como há os parecem fugir de qualquer indagação, mesmo que a indagação seja para informar por que a pressão da pessoa X esta aumentando ou então entender o funcionamento de uma máquina de ajuda a respiração.
Em todos os hospitais há horário de visitas, o procedimento demonstra o cuidado para com o doente.
Se tratando de pessoas na Unidade de Tratamento Intensivo, cada visitante tem que aguardar na sala de espera.
A sala de espera, não apenas é um local de aguardo, mas  onde os desconhecidos se conhecem e até mesmo são estabelecidas novas amizades.
De certa forma as pessoas que estão  na sala de espera tem algo em comum ou seja saber noticia de um familiar ou até mesmo de uma pessoa amiga.
Em um quadro fixado  esta o boletim do dia. Fulano de tal inspira cuidados, outro estável ou então grave.
A informação constante no boletim produz alivio e preocupação. É capaz  mudar o animo das pessoas. Para uns o alivio junto com o sorriso e para outros a tristeza na lágrima que cai.
E a enfermeira abre a porta, quando então cada visitante corre para ver e saber  como esta seu familiar, antes disso é preciso passar álcool nãos mãos.

Entendo  que não basta  passar álcool,  carece ser exigido mais do que um simples limpar  de  mãos. As UTIs de hospitais com  rara exceções  são redutos de bactérias. Alguém se atreve afirmar que na UTI  há mais perigo de ficar doente  do que lá fora na rua.
Deveria cada visitante ao entrar na UTI  usar   avental e   trocar de calçado e até mesmo usar luvas. Como se sabe o calçado  contem  não só sujeira, mas bactérias e fungos ou ainda vírus prejudiciais a saúde.
Aumentar os cuidados não significa dificultar visitas, mas demonstrar maior zelo com a vida de cada pessoa que se encontra numa Unidade de Tratamento Intensivo.
Finda o horário de visita é hora de ir para a casa, descansar e mais tarde voltar novamente a UTI para então saber de novas noticiais daquela pessoa acamada.. Uma rotina que esta longe de alegrar, mas que  faz parte da vida. E se hoje somos os visitantes, talvez num outro dia sejamos os enfermos, pois viver significa também passar e vencer etapas.













UTI E PSICÓLOGO

Em minhas idas e vindas a UTI de um hospital em Cruz Alta tenho verificado certos fatos até então  despercebidos  e o desconhecimento se ...