quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A DOENÇA, O DOENTE E OS OUTROS


Toda a doença não é causa, mas resultado. O corpo não é o causador e sim seu usuário. Como um carro, não é o veiculo o culpado por um motor que não funciona, mas seu proprietário.
A doença possui diversas fontes, desde o modo de viver de cada um, alimentação, falta de atividade física e o cuidado com a mente.
Não há  nas pessoas cultura relativa aos cuidados com a vida. A preocupação só ocorre numa  situação  indesejada. Interessa viver  na busca de bens . O maior valor reside no bem material, ao invés do humano.
O doente tanto é responsável, como vitima. Responsável ao não cuidar da saúde e vitima quando prejudicado por erros  médicos e  até procedimentos hospitalar.
A medicina convencional tem  como preocupação consertar ou reverter estragos. Já medicina preventiva é ainda tímida. Talvez evitar a doença não possibilite tanto dinheiro como ficar doente.
 Será que alguém ainda acredita que a doença não é fonte de ganhos? Ganha desde o laboratório, farmácias até profissionais da saúde e funerárias. Claro em tudo há exceções, porém não se pode esconder  o lado mercantilista da medicina.
A doença produz mudanças. O doente fica frágil, carente e dependente. Como uma  criança ou talvez um ancião. Numa nova realidade passa a precisar mais dos outros.
Também o ficar doente possibilita saber quanto realmente valemos. Mostra o valor do outro para conosco. E o valor não esta nesta ou naquela palavra, pois até um papagaio é capaz de reproduzir palavras. O valor reside em ações em atos, ainda que simples, como alcançar um copo d’água.
Em momento de doença, as pessoas costumam dizer, se precisar de alguma coisa é só pedir. Talvez o ideal não seja  ficar na  mera vontade, mas  fazer. Como a música de  Geraldo Vandré, “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
Em minhas idas e vindas a uma UTI verifiquei  um  fato digno  de verdadeiro amor . Confesso ser um pouco incrédulo em  amor, mas ele parece existir entre pessoas que embora pobres nos possibilita lições de vida.
Diariamente e durante a noite um senhor vai até ao hospital e se posiciona  na porta da  UTI  Cabisbaixo aguarda a hora de entrar e quando a porta se abre  de vagarinho dirige até o leito de sua amada.

Olho para aquela pessoa  e chego a pensar no amor dos animais, em que o  cão  espera por seu dono e corre para recebe-lo e dar carinho.
Faz 11 meses que essa pessoa simples e humilde visita seu amor na esperança de um dia ver  com  a saúde e certamente dizer   valeu a espera e o sacrifício, pois não há nada no mundo mais útil do que a vida.
O exemplo desse senhor deveria ser seguido, especialmente por  pessoas   apegadas a si e seus bens.
O mundo não irá melhorar com palavras, mas com ações,  como do senhor que sem importar com o tempo usa o tempo  ainda  pouco para ficar com outra pessoa.













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